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Coleta seletiva tem protagonismo feminino nas cooperativas

  • Criado: Terça, 25 de Agosto de 2026, 16h59
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É preciso um olhar atento e agilidade nas mãos para trabalhar nas esteiras de triagem da coleta seletiva, por onde passa uma média de 52 toneladas de resíduos sólidos em Londrina, todos os dias. A tarefa de classificar cada material reciclável de acordo com suas propriedades e de separar aquilo que é rejeito em meio ao material é predominantemente ocupada por mulheres. 

Na cooperativa Cooper Região, que hoje realiza a maior porção de coleta na cidade e ocupa quatro barracões – dois na região da Vila Casoni e dois no Jardim Sabará – quase 90, dos 140 cooperados, são mulheres. 

Uma delas é a separadora Rita de Cássia. Ela e as colegas trabalham diariamente identificando os diferentes tipos de plástico, papel, metal e vidros. “Aqui a gente tem bastante separação. Tem uns materiais que é maravilhoso a gente pôr a mão, vem tão limpinho, cheirosinho. Mas tem outros que é complicado. É importante cada um fazer sua parte pra gente trabalhar com um material mais limpinho”, convidou.

As mulheres também têm assumido funções de gestão nas cooperativas. Há 16 anos no setor de reciclagem, Priscila Alves atualmente é gerente de vendas da Cooper Região. Ela contou que teve experiências anteriores como trabalhadora doméstica, mas foi levada ao “universo da reciclagem” pela família, que já tinha vários membros atuando na associação que precedeu a formação da cooperativa. “Na cooperativa eu já fui de tudo: já trabalhei na prensa, na separação, coordenei venda e produção, já trabalhei como recepcionista no escritório e já trabalhei no setor financeiro”, enumerou. 

Ela considera que, para além do sustento, o aprendizado acumulado ao longo dos anos é o que tem mais valor para sua trajetória. “Eu tive oportunidade de fazer vários cursos que, se eu fosse olhar para trás, eu não teria condições”, avaliou. Na sua atuação em projetos capitaneados pela Associação Nacional dos Catadores, ela também tem tido a oportunidade de conhecer a realidade de outros lugares do Brasil. “Quando a gente faz essas viagens, a gente encontra muito com catadores de tudo quanto é tipo de lugar, e a gente vai conhecendo as histórias. Infelizmente no Brasil a gente tem muitos lugares que ainda tem lixão. Então, é maravilhoso olhar para Londrina e ver que nós não temos essa dificuldade”, comparou. Alguns registros destas articulações podem ser acompanhados pela página da cooperativa no Instagram, que também dá dicas aos moradores sobre como separar corretamente os recicláveis do lixo orgânico, algo muito importante para melhorar as condições de trabalho de profissionais da reciclagem.

Na cooperativa Ecorecin, instalada em dois barracões contíguos no Parque Industrial da zona leste, 23 entre 37 cooperados são mulheres. À frente da coordenação de finalização está Raquel Pereira de Oliveira, que há quatro anos veio de Tapejara, no Noroeste do Paraná, para morar em Londrina. Ela soube de uma vaga de trabalho na cooperativa por meio da rede social Facebook e, mesmo sem experiência na área, resolveu arriscar. “Quando comecei ali na esteira, eu não sabia nem que o PET era separado por cor, nada”, lembrou. Hoje, já passou por praticamente todas as funções – triagem, prensa e finalização -, exceto a coleta nas ruas, atividade em que os homens são maioria.

Hoje, ela ensina a operação do maquinário e coordena o processo de prensagem do material e montagem dos fardos preparados para a saída do barracão, fazendo o controle de quantidade e de qualidade do material. Hoje casada, tem orgulho de trazer o “ganha-pão” vindo da reciclagem mas, sobretudo, da nova visão de mundo que adquiriu por meio da experiência no trabalho. “Antes, eu não tinha noção de meio ambiente. Às vezes a gente só acha que só não jogar o lixo no chão é suficiente. Mas tem muita coisa que é reaproveitável, que tem como reutilizar, reciclar, e a gente não tem nem noção disso. Eu aprendi essas coisas. Agora tenho uma outra visão, uma outra cabeça”, relatou.

Texto: Rakelly Calliari e Lucio Flávio Cruz 

Foto: Rhayssa Fernandes/Estagiária NCom

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